Um relatório da Polícia Federal revelou novas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, nas quais ele afirma ter uma “dívida de vida” com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e agradece ao magistrado por “tudo”. A mensagem foi localizada no celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero, e enviada em 14 de novembro de 2025, três dias antes de sua prisão.
Segundo a PF, horas antes da mensagem de agradecimento, Vorcaro e o interlocutor identificado no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA” trataram de um encontro na casa do empresário. Vorcaro chegou a confirmar que estaria em casa às 14h30. O relatório, porém, não esclarece qual foi o assunto discutido na reunião nem registra eventual resposta de Moraes à mensagem em que o banqueiro afirma que sua família, funcionários e parceiros teriam uma “dívida de vida” com o ministro e sua família.
As revelações ganham peso porque outras mensagens analisadas pela Polícia Federal apontam que Vorcaro teria procurado Moraes em meio às preocupações com as investigações que atingiam o Banco Master. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, o empresário chegou a questionar o ministro sobre a possibilidade de deixar o país dois dias antes de ser preso. A PF também investiga mensagens nas quais Vorcaro teria buscado ajuda junto a autoridades para evitar ou retardar medidas contra ele e o banco.
O caso coloca novamente sob escrutínio a relação entre Vorcaro e Moraes, especialmente porque o relatório também menciona um contrato firmado pelo Banco Master com o escritório de advocacia ligado à esposa do ministro, Viviane de Moraes. O material foi enviado ao STF e teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, que encaminhou as informações para manifestação da Procuradoria-Geral da República. Apesar da gravidade política das mensagens, ainda não é possível concluir, apenas com esse conteúdo, que tenha ocorrido crime: especialistas ressaltam que é necessário investigar o contexto completo, as respostas eventualmente dadas e se houve alguma atuação concreta do ministro em favor do banqueiro.







