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Multicentros de Fantasia e a Velha Política da Propaganda

Foto: Reprodução / rede social

Opinião | Moisés Cambuy

O ex-governador e pré-candidato ao Senado, Rui Costa, resolveu colocar o dedo numa ferida antiga da política soteropolitana: a distância abissal entre a propaganda eleitoral de ACM Neto e a realidade enfrentada pela população na saúde pública de Salvador. A promessa era grandiosa, quase cinematográfica: 12 multicentros de saúde espalhados pela capital. O problema é que, passados anos de gestão e incontáveis peças publicitárias vendendo “modernização”, uma simples pesquisa na internet desmonta o discurso triunfalista. Salvador conta hoje com apenas cinco multicentros efetivamente identificados, e muitos deles acumulam reclamações sobre demora, superlotação e atendimento precário.

Rui Costa ironizou o fato de unidades antigas terem sido reapresentadas como se fossem grandes novidades administrativas. Segundo ele, multicentros como os da Liberdade e Carlos Gomes já existiam há décadas, enquanto a prometida revolução na saúde nunca saiu completamente do papel. A crítica atinge em cheio o marketing político que transformou maquete em realização e slogan em política pública. Afinal, prometer 12 e entregar menos da metade não é exatamente um detalhe técnico — é a diferença entre discurso e compromisso.

E o drama não termina na quantidade. Os relatos de usuários revelam um cenário que passa longe da propaganda colorida exibida em campanhas eleitorais. Falta atendimento digno, sobra espera. Exames demoram, consultas desaparecem em filas intermináveis e a atenção básica continua incapaz de atender plenamente a população. Rui Costa também lembrou que Salvador permanece dependente da estrutura estadual em diversas áreas da saúde, inclusive em emergências e maternidades, algo constrangedor para uma capital administrada há tantos anos pelo mesmo grupo político.

No fim das contas, a pergunta feita por Rui Costa ecoa como um deboche inevitável diante da realidade: “Cadê os 12 multicentros?”. Talvez estejam no mesmo lugar onde tantas promessas eleitorais acabam indo parar — no arquivo morto da propaganda política brasileira. Porque inaugurar placa é fácil. Difícil é garantir médico, exame, dignidade e respeito para quem depende do SUS. E nisso, Salvador parece continuar esperando o milagre prometido há mais de uma década.

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