Opinião | Moisés Cambuy
O roteiro já está ficando repetitivo — quase preguiçoso. Quando o escândalo do Banco Master parecia caminhar para aquele limbo confortável onde tudo vira “caso complexo demais”, eis que o nome do eterno “bom moço” ACM Neto reaparece. Não como figurante, claro, mas como aquele personagem que insiste em estar sempre perto demais do enredo, mesmo quando jura que só passou ali “por acaso”.
Não é de hoje que ele tenta vender a imagem de gestor técnico, distante de qualquer lama. Mas os fatos insistem em contrariar o marketing. Documentos já mostraram que sua empresa recebeu milhões do Banco Master e da Reag em contratos de “consultoria” — valores considerados elevados inclusive por órgãos de controle . Tudo muito formal, tudo muito explicado, tudo muito… conveniente.
Agora, segundo informações que circulam a partir das investigações da Polícia Federal, surgem áudios atribuídos a Daniel Vorcaro em que ele afirma, com uma naturalidade quase doméstica: “ACM esteve lá em casa”. Nada como a simplicidade de uma frase casual para desmontar a tese da distância institucional. Porque, no fim, não é sobre ilegalidade comprovada — ainda —, é sobre proximidade demais para quem sempre vendeu neutralidade.
E aí entra o ponto incômodo: quantas vezes o nome de ACM Neto ainda vai “coincidentemente” aparecer antes que o discurso do “bom moço” perca o prazo de validade? Porque uma coisa é prestar consultoria; outra bem diferente é orbitar, repetidamente, um dos maiores escândalos financeiros do país, que já envolve suspeitas de fraude bilionária, corrupção e lavagem de dinheiro . Mas, claro, deve ser só mais uma coincidência. Dessas que, curiosamente, só acontecem com os mesmos de sempre.







