Home / Política / O Risco do Isolamento: ACM Neto e o Preço de um Movimento Mal Calculado

O Risco do Isolamento: ACM Neto e o Preço de um Movimento Mal Calculado

Opinião | Moisés Cambuy

A sinalização de apoio de ACM Neto a Ronaldo Caiado para a disputa presidencial de 2026 não é apenas um gesto político — é um movimento estratégico que pode custar caro na Bahia. Ao se afastar de uma base bolsonarista ainda significativa no estado, Neto abre uma fissura perigosa em seu campo de apoio. Em política, alianças não são simbólicas: elas têm peso real nas urnas. E, ao contrariar um eleitorado mobilizado e fiel, ele corre o risco de transformar antigos aliados em adversários silenciosos — ou, pior, ativos.

O primeiro impacto é direto: a possível ruptura com o PL baiano. Trata-se de um partido com capilaridade, estrutura e influência em diversas regiões do estado. Sem esse apoio, ACM Neto perde palanques importantes, tempo de mobilização e, sobretudo, musculatura política no interior — onde eleições na Bahia frequentemente são decididas. A ausência desse suporte pode enfraquecer sua presença em municípios estratégicos, reduzindo sua capacidade de consolidar votos já no primeiro turno.

Além disso, há o fator emocional do eleitorado. O bolsonarismo, independentemente de concordâncias ou críticas, consolidou uma base engajada, que valoriza lealdade acima de conveniências políticas. Ao se alinhar a Caiado, Neto transmite uma imagem de ambiguidade ideológica, o que pode gerar desconfiança e desmobilização. Em uma eleição disputada, perder entusiasmo é tão prejudicial quanto perder votos — porque um eleitor desmotivado muitas vezes simplesmente não comparece.

Por fim, o cenário se agrava quando se considera a fragmentação do campo oposicionista. Ao invés de unificar forças, ACM Neto pode acabar estimulando candidaturas concorrentes dentro do mesmo espectro, dividindo votos e abrindo espaço para que adversários avancem com mais facilidade. Nesse contexto, o risco deixa de ser apenas uma derrota — passa a ser uma derrota precoce, ainda no primeiro turno. Política exige cálculo fino, e, nesse caso, o movimento de Neto pode ter sido menos estratégia e mais aposta arriscada.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *