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Quando a ausência fala mais alto que o compromisso

Opinião | Moisés Cambuy


A sessão da Assembleia Legislativa da Bahia que deveria deliberar sobre o reajuste do piso salarial dos professores escancarou um problema crônico da política brasileira: a falta de compromisso com aquilo que realmente importa. Não se trata apenas de uma reunião esvaziada por ausência de deputados, mas de um símbolo gritante de negligência com a educação pública. Enquanto professores aguardam valorização e reconhecimento, parte dos representantes eleitos sequer comparece ao espaço onde decisões fundamentais são tomadas.


O projeto em discussão, que propõe um reajuste escalonado, já nasce envolto em controvérsias. A proposta de parcelar o aumento, em vez de garantir o reajuste integral imediato, levanta dúvidas legítimas sobre a real prioridade dada à categoria. A emenda apresentada pelo deputado Hilton Coelho, buscando antecipar o reajuste total, expõe um contraste evidente: de um lado, a tentativa de garantir dignidade aos professores; de outro, uma política de adiamentos que empurra soluções urgentes para um futuro incerto.

Mais grave que o conteúdo do debate, porém, foi o seu esvaziamento. A ausência de quórum não pode ser tratada como um detalhe burocrático, mas como uma afronta direta aos profissionais da educação. Cada cadeira vazia no plenário representa um voto que deixou de ser dado, uma posição que deixou de ser defendida e, sobretudo, uma responsabilidade que foi ignorada. É inadmissível que, diante de um tema tão sensível, o silêncio da ausência prevaleça sobre o dever de agir.

Esse episódio reforça a urgência de repensar a postura dos parlamentares diante de suas obrigações. A educação não pode continuar sendo tratada como pauta secundária, sujeita a adiamentos e descasos. Professores não podem esperar indefinidamente por valorização, enquanto seus representantes falham até mesmo em comparecer ao trabalho. Mais do que uma sessão perdida, o que se viu foi a perda de uma oportunidade de demonstrar respeito, compromisso e seriedade com o futuro da Bahia.

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