A Justiça da Bahia afastou o secretário municipal Luciano Sandes e o vereador licenciado George Carlos Reis Pereira, o Gordinho da Favela, em uma investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia que apura um suposto esquema de fraude em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Prefeitura de Salvador. Segundo a decisão judicial, os investigados foram afastados para evitar possível interferência na produção de provas. As suspeitas incluem contratos da Secretaria de Manutenção (Seman) e da Desal, com prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos.
O fato que mais chama atenção, porém, veio das próprias declarações do prefeito Bruno Reis. Em entrevista coletiva, ele afirmou que a Prefeitura já tinha conhecimento das irregularidades envolvendo as empresas investigadas, dizendo que a gestão vinha aplicando multas, rescindindo contratos e que estava “na iminência de decretar a inidoneidade” dessas empresas para impedir novas contratações. Ou seja, segundo o próprio prefeito, os problemas não eram uma novidade descoberta pela operação do Ministério Público.
Se era de conhecimento da administração municipal que existiam irregularidades graves, surge uma dúvida inevitável: por que as medidas mais contundentes só ganharam força depois da atuação do Ministério Público e da Justiça? Se havia informações suficientes para reconhecer a existência de problemas, por que os responsáveis permaneceram em posições de confiança até a deflagração da operação? Essas perguntas não são apenas políticas; elas dizem respeito ao dever de zelo com o patrimônio público e à transparência que a sociedade espera de seus governantes.
E é justamente aí que fica a pergunta, em tom inevitavelmente irônico: se Bruno Reis admite que sabia das irregularidades, Bruno Reis prevaricou? Essa é uma questão que cabe às autoridades competentes analisar juridicamente, à luz dos fatos e das investigações em andamento. Politicamente, porém, a declaração do prefeito abre um debate difícil de ignorar: saber, reconhecer e agir no tempo certo nem sempre são a mesma coisa — e o contribuinte tem o direito de querer entender essa diferença.







