Foto: Reprodução rede social
Opinião | Moisés Cambuy
A recente manifestação da primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso, ao fazer um “apelo” ao governador Jerônimo Rodrigues diante de casos de dengue hemorrágica em Uauá levanta questionamentos importantes. Embora a gravidade da situação exija atenção imediata das autoridades, o tom adotado na fala sugere um uso político de uma tragédia, especialmente ao enfatizar que “pessoas estão morrendo” em um contexto de cobrança pública. Em momentos como esse, espera-se mais foco em soluções concretas do que em discursos que podem ampliar tensões políticas.
A crítica ganha ainda mais força quando se observa a realidade enfrentada por pacientes da própria capital. Em Salvador, relatos recorrentes apontam dificuldades no acesso à regulação de atendimentos, especialmente em unidades como a primeira maternidade da cidade. Muitos pacientes reclamam da burocracia excessiva e da demora para conseguir vagas, evidenciando que o sistema local também enfrenta problemas estruturais relevantes.
Nesse cenário, a fala da primeira-dama sobre regulação soa contraditória para parte da população. Enquanto cobra respostas rápidas em outra região do estado, cidadãos da capital convivem com entraves semelhantes, que impactam diretamente o acesso à saúde. Isso levanta dúvidas sobre a coerência do discurso e reforça a percepção de que o tema pode estar sendo utilizado com viés político.
Diante disso, é fundamental que o debate público sobre saúde seja conduzido com responsabilidade e consistência. Tragédias como mortes por dengue exigem ação coordenada, investimentos e gestão eficiente — não apenas declarações públicas. A população espera menos disputas políticas e mais soluções reais, tanto em Salvador quanto no interior da Bahia.







