A divulgação das pesquisas Vox Brasil e Atlas Intel, que apontam queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro e aumento de sua rejeição nacional, reacendeu o debate sobre os impactos do chamado “caso Master” nas articulações da direita brasileira para 2026. O desgaste provocado pelo vazamento dos áudios envolvendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro extrapola o cenário presidencial e já produz efeitos sobre lideranças regionais associadas ao bolsonarismo, especialmente aquelas vinculadas à nova federação entre União Brasil e Progressistas.
Na Bahia, ACM Neto surge como um dos nomes diretamente atingidos por esse ambiente político adverso. Embora tente preservar uma imagem de independência ao sinalizar proximidade com o governador Ronaldo Caiado, o ex-prefeito de Salvador mantém uma aliança consolidada com o PL e com figuras centrais do bolsonarismo no estado, como João Roma. A composição política construída nos últimos anos aproxima inevitavelmente sua imagem da família Bolsonaro, tornando difícil separar os projetos estaduais das disputas nacionais.
O cientista político Cláudio André de Souza avalia que a crise envolvendo Flávio Bolsonaro cria um “parâmetro de impacto” para lideranças estaduais ligadas à federação União Progressista. Segundo ele, dirigentes como Antônio Rueda, Ciro Nogueira e ACM Neto acabam expostos ao desgaste de um presidenciável enfraquecido politicamente e associado a um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Como a federação partidária deverá atuar de forma unificada em 2026, a tendência é que o apoio a Flávio Bolsonaro se torne um fator inevitável nas campanhas estaduais.
Na prática, o cenário reforça um desafio já conhecido por ACM Neto: equilibrar sua estratégia eleitoral em um estado onde o bolsonarismo enfrenta forte rejeição popular. A tentativa de moderar o discurso ou de suavizar a associação com a extrema direita esbarra na própria composição de seu grupo político e em alianças firmadas desde 2018. Com a crise do caso Master ganhando dimensão nacional, a ligação entre ACM Neto e o núcleo bolsonarista tende a voltar ao centro do debate político baiano.







