Por: Moisés Cambuy
A nova pesquisa Séculus/CBN Salvador, divulgada nesta quarta-feira (16), coloca ACM Neto com 47,23% contra 35,44% de Jerônimo Rodrigues no cenário estimulado. Nos votos válidos, o levantamento aponta 56,42% para Neto e 42,33% para Jerônimo. No segundo turno, a diferença apresentada é de 48,34% a 36,74%. Foram ouvidos 1.535 eleitores em 72 municípios, entre 10 e 15 de setembro, com margem de erro de 2,5 pontos e registro BA-00478/2026.
Mas é justamente aí que a memória eleitoral precisa funcionar. Em 2022, a Séculus publicou uma sequência de levantamentos que colocava ACM Neto muito à frente de Jerônimo. Em março, por exemplo, apontava 63,48% para Neto contra apenas 6,54% para Jerônimo; em julho, 61,60% contra 11,73%; e, já em setembro, às vésperas da eleição, 57,39% contra 18,36%.
Só que a urna contou uma história completamente diferente: no primeiro turno, Jerônimo terminou com 49,45% dos votos válidos, contra 40,80% de ACM Neto. No segundo turno, Jerônimo venceu e foi eleito governador, com 52,79% contra 47,21% na apuração final.
E há outro ponto que não pode ser convenientemente varrido para debaixo do tapete. A Séculus possui histórico de levantamentos questionados e suspensos pela Justiça Eleitoral em diferentes eleições: há registros de suspensões em Juazeiro e Jussara em 2020, Morro do Chapéu em 2018 e outras cidades em anos anteriores. Em 2022, especificamente, um levantamento do instituto para o Governo da Bahia também chegou a ser suspenso liminarmente pelo TRE-BA, segundo relatos publicados à época, por problemas relacionados à especificação das localidades pesquisadas.
Em março de 2026, o Avante voltou a pedir ao TRE-BA a suspensão de uma pesquisa da Séculus, alegando irregularidades metodológicas — alegações que devem ser distinguidas de uma decisão judicial definitiva.
O problema, portanto, não é simplesmente uma pesquisa mostrar A ou B na frente. Pesquisa eleitoral é fotografia, não sentença; pode acertar, pode errar e pode captar movimentos reais do eleitorado. O que merece crítica é quando números apresentados com aparência de precisão matemática — 47,23%, 35,44%, 56,42% — passam a circular como se fossem o resultado antecipado da eleição. Em 2022, a fotografia da Séculus estava apontando para uma eleição praticamente resolvida em favor de ACM Neto, enquanto a urna produziu outro resultado. O eleitor baiano não precisa de instituto fazendo cosplay de urna eletrônica. Precisa de informação, metodologia transparente e comparação entre pesquisas. Porque eleição se ganha convencendo eleitor — não tentando convencê-lo, por antecipação, de que a eleição já estaria decidida.







