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Dois Pesos, Duas Permanências

Por | Moisés Cambuy

Curioso como alguns discursos políticos parecem funcionar igual interruptor: acendem e apagam conforme o endereço. Quando o PT completa duas décadas no governo da Bahia, surgem especialistas em “alternância de poder” como se a democracia tivesse prazo de validade. Mas basta olhar para Feira de Santana ou Salvador para perceber que a régua muda de tamanho. Afinal, quando o grupo político é outro, a longa permanência parece ganhar um nome mais elegante: “continuidade administrativa”.

Em Feira de Santana, o mesmo grupo político domina a Prefeitura há cerca de um quarto de século. Em Salvador, o grupo liderado por ACM Neto caminha para 16 anos consecutivos no comando da capital. Curiosamente, esses números raramente aparecem acompanhados de discursos inflamados sobre a necessidade urgente de renovação. Pelo visto, há quem considere que o problema não seja ficar muito tempo no poder, mas apenas quem ocupa esse poder.

Se a permanência de um grupo político é, por si só, um defeito, então a crítica precisa ser aplicada com a mesma intensidade em qualquer esfera e para qualquer partido. Caso contrário, o argumento deixa de ser uma defesa da democracia para se transformar em mera conveniência eleitoral. Afinal, coerência não deveria depender da cor da bandeira nem do sobrenome de quem governa.

No fim das contas, a democracia já resolveu essa questão faz tempo. Quem decide entre mudança e continuidade não são os discursos prontos, os slogans de campanha ou as narrativas convenientes. É o eleitor, nas urnas. E quando a coerência entra em férias, o voto costuma lembrar que o verdadeiro patrão da política continua sendo o povo.

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