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Salvador: a vitrine maquiada de ACM Neto virou um retrato do fracasso social

Foto: Reprodução rede social

Opinião | Moisés Cambuy

Salvador acaba de aparecer entre as piores capitais do Brasil em qualidade de vida no Índice de Progresso Social (IPS). A cidade ficou na 24ª posição entre as 27 capitais brasileiras, afundando em indicadores básicos como saúde, segurança, saneamento, moradia e oportunidades.

E isso destrói uma das maiores peças de marketing político já produzidas na Bahia: a narrativa de que ACM Neto e seu grupo transformaram Salvador em exemplo de gestão moderna.

Transformaram para quem?

Porque basta sair da propaganda institucional e entrar no ônibus lotado às 5h da manhã para encontrar a verdadeira Salvador. A cidade da tarifa cara, do transporte colapsado, da periferia esquecida, do saneamento precário, da desigualdade obscena e da juventude sem perspectiva.

Durante anos, ACM Neto vendeu a imagem de “prefeito eficiente”. Pintou meio-fio, iluminou avenida turística, fez marketing digital de prefeitura gourmet e apostou pesado na estética urbana. Salvador virou uma cidade instagramável para drone sobrevoar a orla. Mas o IPS mostra aquilo que filtro de rede social não esconde: o povo continuou vivendo mal.

O mais simbólico é que os piores resultados aparecem justamente nas áreas que definem civilização básica: saúde, inclusão social, educação fundamental e segurança.

Ou seja: a gestão pode até ter aprendido a fazer vídeo bonito, mas não conseguiu garantir dignidade.

E isso não é apenas discurso de adversário político. Até análises técnicas e reportagens nacionais apontaram contradições graves na gestão de ACM Neto. Um levantamento do UOL destacou avanços na educação, mas afirmou que a prefeitura falhou justamente nas agendas mais essenciais, como saúde básica e saneamento.

É quase um resumo do modelo carlista moderno:
muita embalagem, pouca transformação estrutural.

A ironia é cruel. Salvador é uma das cidades mais ricas culturalmente do planeta, mas segue aparecendo ao lado das piores capitais do país quando o assunto é qualidade de vida. Décadas de domínio político desse mesmo grupo produziram uma cidade onde o turista vê pôr do sol e o morador vê abandono.

Enquanto isso, o discurso político continua o mesmo:
“gestão”, “eficiência”, “choque de ordem”, “modernização”.

Modernização para quem pega três ônibus?
Eficiência para quem espera meses por atendimento?
Choque de ordem em qual bairro? Porque na periferia o caos continua perfeitamente organizado.

O caso do transporte público talvez seja o maior símbolo desse fracasso. Salvador conseguiu a façanha de unir passagem cara, sistema precário e população revoltada. Críticos apontam que decisões tomadas na gestão ACM Neto ajudaram a empurrar o sistema para uma crise profunda.

E o mais preocupante politicamente: Salvador funciona como laboratório do grupo de ACM Neto. É a principal vitrine administrativa do projeto político que deseja governar toda a Bahia.

Se a vitrine está entre as piores do Brasil em qualidade de vida, a pergunta é inevitável:
o que exatamente credencia esse grupo a comandar o estado inteiro?

Porque governar não é produzir slogan.
Não é inaugurar maquiagem urbana.
Não é transformar prefeito em influenciador.

Governar é melhorar a vida real das pessoas.

E o IPS acaba de lembrar, de maneira brutal, que a vida real em Salvador continua muito distante da propaganda.

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